O Que É o Tarô

Iniciante
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O tarô é um baralho de setenta e oito cartas usado hoje pra reflexão e leitura — mas a prática não começou como nenhuma das duas coisas. Este artigo conta a história na ordem em que ela realmente aconteceu, não na ordem que faria o mito mais bonito.

Um jogo de cartas, antes de tudo

As primeiras cartas de tarô documentadas eram um jogo de cartas italiano do século XV, jogado com um baralho que já trazia a estrutura básica — cartas de trunfo mais quatro naipes — que a tradição ainda usa hoje. Jogos desse tipo circularam pelas cortes do norte da Itália por bem mais de três séculos antes que alguém tratasse o baralho como algo além de um jogo. O registro histórico não aponta um único inventor pra essa origem; ela surgiu, como acontece com os jogos de cartas, de uma prática regional compartilhada, e não do projeto de uma pessoa só.

Uma história inventada, quatro décadas antes de poder ser checada

Em 1781, o estudioso francês Antoine Court de Gébelin publicou a afirmação de que os trunfos do tarô preservavam secretamente a sabedoria dos antigos sacerdotes egípcios. Ele inventou essa afirmação — não há nenhuma evidência que a sustente, e ele a fez quatro décadas antes de qualquer pessoa na Europa conseguir de fato ler um hieróglifo, de modo que nem era possível, na época em que ele escreveu, comparar sua ideia com fontes egípcias genuínas. Menos de dez anos depois do livro de Court de Gébelin, Etteilla construiu o primeiro sistema de prática cartomântica — adivinhação por cartas — em cima dessa afirmação inventada, dando ao tarô de leitura o seu método fundador.

As duas coisas são verdadeiras

A história da origem egípcia é falsa, e foi inventada por uma pessoa identificada — não é algo que "surgiu" ou "se desenvolveu" sozinho; a voz passiva é exatamente o truque que permite que uma afirmação fabricada se disfarce de tradição legítima. E, ainda assim, a prática de leitura que nasceu dessa invenção é real, contínua, e já tem hoje cerca de dois séculos e meio de profundidade. A Aurathea afirma os dois fatos, nessa ordem, porque um não anula o outro: uma tradição pode ter um mito fundador falso e, ao mesmo tempo, uma prática genuína e duradoura construída em cima dele.

O que isso significa pro que vem a seguir

O restante desta trilha ensina o tarô como ele realmente se desenvolveu — o jogo, a afirmação egípcia inventada, a prática cartomântica que Etteilla construiu a partir dela, e os baralhos posteriores que levaram essa prática à sua forma moderna. Nada aqui trata a leitura preditiva de cartas como ilegítima; ela simplesmente não é a prática que a Aurathea oferece. O que a gente oferece em vez disso, e por quê, é o assunto do próximo artigo.
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