Waite–Smith e a Golden Dawn

Iniciante
◇ ✦ ◇
O baralho Rider–Waite–Smith ganha um artigo só pra ele porque é, de longe, o baralho com o qual a maioria dos leitores de tarô aprende primeiro — e porque o sistema simbólico por trás da sua iconografia tem uma fonte específica e documentada que vale a pena nomear com precisão.

Um sistema herdado, não inventado do zero

Arthur Edward Waite era membro da Ordem Hermética da Golden Dawn, e o baralho que ele desenhou extrai o seu arcabouço simbólico diretamente do conjunto de correspondências e ensinamentos da própria ordem — Waite não inventou o sistema de base do baralho de forma independente; ele construiu um baralho a partir de um sistema que a Golden Dawn já havia desenvolvido. Nomear a Golden Dawn como a verdadeira fonte simbólica do baralho, em vez de atribuir o sistema só a Waite, é parte de ler a história desse baralho com precisão.

Smith desenhou as setenta e oito

Pamela Colman Smith ilustrou o baralho inteiro publicado pela Rider em 1909 — não só os vinte e dois Arcanos Maiores, que baralhos ilustrados anteriores às vezes cobriam, mas também as cinquenta e seis cartas numerais dos Arcanos Menores, cada uma renderizada como uma cena totalmente ilustrada, em vez de uma simples carta de naipe e número. Essa escolha — ilustrar cada carta numeral como uma cena — é especificamente uma contribuição de Smith, e é grande parte do motivo pelo qual esse baralho se lê de um jeito tão diferente do padrão Tarot de Marseille que veio antes dele.

As correspondências próprias da Golden Dawn

A Golden Dawn atribuiu o seu próprio sistema de correspondências — decanatos, planetas, e outras associações simbólicas — às cartas de tarô, como parte do seu ensinamento interno, e a iconografia do baralho Rider–Waite–Smith reflete esse sistema. Vale a pena afirmar isso claramente como o arcabouço documentado da própria Golden Dawn, não como um fato sobre as cartas de tarô que vale pra todo baralho ou toda tradição de leitura; um baralho diferente, construído a partir de uma linhagem diferente, pode atribuir correspondências totalmente diferentes, ou nenhuma.

Um baralho, dois criadores identificados, um sistema emprestado

Lidos em conjunto, o relato honesto sobre esse baralho é: um sistema simbólico desenvolvido pela Ordem Hermética da Golden Dawn, organizado no design de um baralho por Arthur Edward Waite, e transformado em setenta e oito cartas ilustradas por Pamela Colman Smith. As três partes dessa frase são documentadas, e nenhuma das três substitui o todo — o baralho pertence às três ao mesmo tempo.
◇ ✦ ◇